Cinco dias após o início da demolição de um dos prédios culturais mais emblemáticos de Joanópolis – de propriedade privada –, a Prefeitura de Joanópolis anunciou oficialmente, em 27 de janeiro, a construção de um novo Centro Cultural no município. O anúncio foi feito por meio de vídeo divulgado pelo atual prefeito e rapidamente repercutiu nas redes sociais, onde os comentários indicaram bom índice de aprovação por parte da população, que se via naquele momento impactada e entristecida pelo sentimento de perda de identidade pela demolição do prédio que abrigou a Casa da Cultura (já desativada há mais de um ano) por muitos anos.
A reação também evidenciou uma demanda antiga: a necessidade de políticas públicas claras, estruturadas e duradouras para a cultura local, como bem o jornal TRIBUNA da Cidade, periódico impresso único na cidade alerta e vem publicando ao longo dos anos. O decorrer e acompanhamento evidenciaram que artistas, educadores e mediadores culturais de Joanópolis têm enfrentado dificuldades relacionadas à falta de espaços adequados, apoio contínuo e planejamento de longo prazo para o setor.
Segundo anunciado pela Prefeitura, o novo Centro Cultural será implantado no espaço que atualmente abriga um estacionamento do Paço Municipal e foi planejado para fortalecer a cultura, a educação e a convivência comunitária. O espaço contará com auditório para eventos, biblioteca, salas multiuso, áreas administrativas e banheiros acessíveis, permitindo a realização de apresentações culturais, oficinas, cursos, palestras e atividades educativas. O projeto também busca valorizar as características naturais do município e ampliar o acesso da população às ações culturais, com um espaço público voltado à valorização dos talentos locais e à participação ativa da comunidade.
Projeto executivo e previsão de recursos
Em entrevista, o secretário de Desenvolvimento Turístico, Econômico, Esportes, Cultura e Lazer, Leonardo Giovani Moreira Gonçalves, explicou que o Centro Cultural já se encontra em fase de projeto executivo. De acordo com ele, o município ainda trabalha na definição dos custos totais da obra.
“Hoje o projeto está em fase de projeto executivo, então a gente está orçando quanto ele vai ficar. Ainda não temos esse valor fechado”, afirmou.
Inicialmente, a proposta previa o uso de emendas parlamentares. No entanto, após deliberação do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), ficou definido que o projeto será encaminhado ao Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE).
“O projeto vai ser encaminhado para a verba de R$ 2,9 milhões que o município vai receber este ano, junto com o projeto das placas de sinalização turística”, explicou o secretário. Segundo ele, a previsão é de que aproximadamente R$ 1,8 milhão seja destinado especificamente à construção do Centro Cultural, utilizando o recurso remanescente.
A expectativa da secretaria é que o DADE abra o prazo para envio dos projetos ainda em março. Caso os trâmites ocorram conforme o planejado, a obra poderá ser iniciada ainda este ano, possivelmente no mês de agosto.
Estrutura pensada para a cultura local
Leonardo Giovani destacou que o projeto foi concebido para atender múltiplas demandas culturais do município. Além de um espaço para apresentações e palestras, o Centro Cultural deverá acolher de forma definitiva a Biblioteca Municipal, que hoje carece de uma estrutura própria adequada.
O projeto também prevê salas destinadas aos grupos culturais e folclóricos da cidade, tanto os vinculados diretamente à Prefeitura quanto os independentes. Esses espaços poderão ser utilizados para ensaios, reuniões e armazenamento de equipamentos.
“Hoje a gente carece disso. Então são quatro salas que vão ser destinadas a esse revezamento dos grupos no Centro Cultural”, afirmou o secretário. Para ele, a iniciativa representa um passo importante na estruturação da política cultural do município, com foco no longo prazo.
“A ideia é pensar a cultura de forma contínua, dar estrutura para os artistas e oferecer um espaço onde eles possam desenvolver suas ações artísticas.”
Gestão e funcionamento
Sobre o modelo de funcionamento do futuro Centro Cultural, Leonardo Giovani esclareceu que, ao menos neste primeiro momento, a administração será totalmente pública.
“Vai ser um espaço público da Prefeitura, assim como o museu, o ginásio, entre outros. Não se pretende terceirizar a administração, nem para associações nem para o setor privado”, explicou.
Segundo ele, após as obras/conclusão e início-inauguração, a gestão municipal deverá avaliar na prática quais serão as necessidades e limitações do espaço. “Depois de fundado, a gente precisa entender como vai se dar essa rotina, se a Prefeitura vai conseguir administrar sozinha. Mas, de antemão, não existe previsão de passar para administração externa.”
A construção do Centro Cultural surge, assim, como um marco esperado por grande parte da comunidade, reacendendo o debate sobre o papel do poder público na preservação, promoção e fortalecimento da cultura em Joanópolis.
*Reportagem publicada no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 202 - fevereiro 2026
