Cientista brasileira avança em tratamento que pode reverter paralisias

Publicada em: 05/03/2026 11:46 -

Após décadas de pesquisa, estudos liderados no Brasil apontam recuperação de movimentos em pacientes com lesão na medula espinhal

A ciência brasileira alcançou um marco importante na área da medicina regenerativa. Pesquisas lideradas pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstraram avanços significativos na recuperação de movimentos em pacientes com lesão na medula espinhal — condição que, por décadas, foi considerada irreversível.

O trabalho é resultado de mais de 20 anos de estudos dedicados à biologia celular e à regeneração do sistema nervoso. Ao longo desse período, a equipe desenvolveu uma substância chamada polilaminina, uma proteína capaz de estimular o crescimento e a reconexão de fibras nervosas danificadas, criando um ambiente favorável à regeneração da medula espinhal.

Ensaios experimentais indicaram melhora funcional em pacientes com diferentes graus de paralisia, incluindo casos de paraplegia e tetraplegia. Os resultados apontam recuperação parcial de movimentos e sensibilidade. Especialistas ressaltam que o tratamento não representa uma cura definitiva, mas um avanço sem precedentes na tentativa de reverter danos neurológicos.

Atualmente, a polilaminina ainda está em fase de pesquisa clínica e não se encontra disponível para uso amplo na rede de saúde. Novos estudos estão em andamento para avaliar a segurança, a eficácia em longo prazo e a aplicação do tratamento em pacientes com lesões antigas.

Apesar do entusiasmo da comunidade científica, a substância aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a realização de ensaios clínicos de fase II e III em maior escala, com grupos de controle e publicação dos resultados revisados por pares. Críticos destacam a amostra ainda reduzida e a ausência de dados publicados até o momento, mas os resultados preliminares reforçam a consistência de anos de pesquisa em laboratório.

A descoberta coloca o Brasil em posição de destaque no cenário científico internacional e reacende a esperança de milhões de pessoas afetadas por lesões medulares. Caso seja aprovada, a polilaminina poderá se tornar o primeiro tratamento regenerativo para lesões na medula espinhal no mundo, com potencial de exportação e de acesso futuro pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a neurociência, o avanço abre novas perspectivas ao demonstrar que a modulação da matriz extracelular pode ter aplicações no tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e sequelas de AVC. Para os pacientes, representa uma esperança concreta: após décadas em que essas lesões eram consideradas irreversíveis, a ciência brasileira do que se imaginava indica que o cérebro e a medula espinhal podem ter um potencial de regeneração maior.

*Reportagem publicada no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 202 - fevereiro 2026

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