Publicitária e empreendedora, compartilho nesta coluna reflexões e insights sobre branding, marketing, comportamento e mercado. O objetivo é provocar olhares mais amplos sobre como as marcas se constroem. Não apenas por estratégias, mas também por conexão com as pessoas.
A execução ficou fácil e o pensamento ficou raro. IA na criação de conteúdo: facilidade ou falta de autenticidade?
A inteligência artificial já não é mais novidade, ela virou parte do dia a dia de quem trabalha com conteúdo. Ferramentas como o ChatGPT, Gemini e outros ajudam a escrever textos, criar ideias, imagens, roteiros e até organizar estratégias em poucos minutos.
Isso trouxe uma mudança importante: produzir conteúdo nunca foi tão fácil.
Hoje, praticamente qualquer pessoa consegue criar posts, imagens ou vídeos com ajuda da IA. O que antes levava horas, agora pode ser feito em minutos. Mas essa facilidade também levanta uma questão importante: se todo mundo pode criar, o que realmente faz um conteúdo se destacar?
A resposta não está mais na execução, está na ideia!
A IA ajuda muito, mas ela não pensa sozinha. Ela depende de quem está por trás: do repertório, da sensibilidade, da forma de enxergar o mundo e da forma como cria a sua marca. Por isso, o papel de quem cria conteúdo mudou. Não é mais só sobre fazer, mas sobre saber o que dizer e como dizer.
Outro ponto que chama atenção é que a IA não substitui a identidade, ela só amplia. Marcas e criadores que já tinham uma linguagem clara, hoje conseguem usar essas ferramentas para produzir mais, mantendo consistência. Já quem não tem um posicionamento definido, acaba criando conteúdos genéricos, que não se destacam.
E tem mais: com tanta gente produzindo ao mesmo tempo, a internet fica cada vez mais cheia. É muito conteúdo igual, disputando a atenção das pessoas. Nesse cenário, não ganha quem posta mais, mas sim quem faz com sentido.
No fim das contas, a inteligência artificial não substitui o olhar humano. Ela ajuda, acelera, facilita, mas não cria conexão sozinha.
A grande reflexão não é se a inteligência artificial é boa ou ruim. A questão é outra:
Você está usando a IA só para fazer mais do mesmo, ou para potencializar os conteúdos de valor da sua marca?

Lia Cumino
E-mail: cuminonatalia@gmail.com
@liacumino
*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 204 - abril 2026
