El Niño influencia clima no Brasil, mas relação com ciclone-bomba não é confirmada

Publicada em: 10/08/2026 13:36 -

Fenômeno atingiu o Sul e avançou pelo Sudeste no fim de semana, provocando ventos fortes e estragos; atenção para eventos extremos é reforçada

A atuação do El Niño no segundo semestre deste ano já influencia as condições climáticas previstas para diferentes regiões do Brasil e aumenta a atenção para a ocorrência de períodos de chuva e eventos meteorológicos mais intensos, especialmente no Sul do país. No entanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) ressalta que não é possível afirmar que o ciclone-bomba que atingiu o Sul e avançou pelo Sudeste no último fim de semana tenha sido provocado diretamente pelo fenômeno.

O ciclone extratropical se intensificou entre quinta-feira (6) e sábado (8), associado à passagem de uma frente fria e ao encontro de diferentes massas de ar. A rápida queda da pressão atmosférica no centro do sistema caracterizou o processo conhecido como ciclogênese explosiva, que deu origem ao chamado ciclone-bomba.

Os efeitos mais graves foram registrados no Rio Grande do Sul. O estado teve registro de ventos superiores a 120 km/h, queda de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e outros danos em dezenas de municípios. Também foi registrado um tornado associado a uma supercélula de tempestade. Uma pessoa morreu e outras ficaram feridas durante os temporais.

A instabilidade também avançou em direção ao Sudeste. No litoral paulista, houve rajadas fortes, interrupções temporárias em serviços de navegação e medidas preventivas adotadas por municípios. Em cidades do Litoral Norte, as aulas municipais chegaram a ser suspensas diante da previsão de ventos intensos.

Apesar de o episódio ter ocorrido durante um ano de El Niño, o Inmet destaca que não há comprovação de uma relação direta de causa e efeito entre o fenômeno climático e a formação do ciclone-bomba. O El Niño altera padrões da circulação atmosférica e, no Sul do Brasil, pode favorecer maior disponibilidade de umidade, chuvas acima da média e condições mais propícias à formação e intensificação de sistemas meteorológicos, inclusive ciclones extratropicais.

O boletim climático elaborado por órgãos como Inmet e Inpe indica, para o trimestre de julho a setembro, maior probabilidade de chuvas acima da média em grande parte da Região Sul. A previsão também aponta temperaturas acima da média em boa parte do país.

Isso significa que o El Niño pode funcionar como um fator de influência no comportamento geral da atmosfera, mas cada evento extremo depende de uma combinação específica de condições meteorológicas. No caso do ciclone registrado no último fim de semana, portanto, a formação esteve ligada principalmente à configuração atmosférica daquele período, e não pode ser atribuída exclusivamente ao El Niño.

Com a passagem do sistema, uma massa de ar frio avançou pelo país e provocou queda nas temperaturas em áreas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O episódio também reforçou a necessidade de acompanhamento dos alertas meteorológicos, especialmente durante períodos de maior instabilidade.

*Reportagem publicada no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 207 - julho/agosto 2026 – e atualizada em nosso portal online

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