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Confira abaixo o artigo do Sr. José Carlos, que se intitulou “cidadão atento”, em e-mail enviado à redação, com veiculação no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 197 – agosto de 2025.

Senhoras e senhores da sociedade civil e das instituições públicas,

Vivemos tempos em que a reflexão precisa caminhar ao lado da ação. A realidade tem gritado – nas ruas, nos tribunais, nos parlamentos e nas periferias – por escuta, empatia e transformação. Por isso, esta carta não é um protesto, nem uma acusação. É um convite à consciência.

As instituições policiais, historicamente concebida para manter a ordem, enfrenta o desafio de se reconhecer como protetora da dignidade de cada indivíduo. Não há paz verdadeira onde há medo do fardado. Mas há esperança quando a autoridade se alia ao respeito, quando o uniforme representa acolhimento e não imposição. A força que protege precisa, primeiro, compreender que a individualidade é inviolável – e é isso que distingue o serviço público da simples repressão.

Ao mesmo tempo, vemos leis sendo desobedecidas não apenas nas ruas, mas também no coração da política, por aqueles que deveriam ser os primeiros a honrá-las. Uma lei ignorada por grande parte da sociedade não é necessariamente um fracasso moral do povo, mas talvez um sintoma de distanciamento entre o legislador e a vida real. Leis que não escutam, punem. Leis que não dialogam, apodrecem.

E o que dizer dos legisladores irresponsáveis? Dos que legislam com pressa, com vaidade, com interesses próprios? Dos que, ao assumirem o poder, esquecem que representar não é mandar, mas traduzir a voz coletiva em normas justas? A história nos ensina que onde a caneta é usada sem consciência, o povo escreve com os pés – nas marchas, nas urnas, nas ausências...

Por isso, é urgente lembrar: assumir um cargo público é mais do que se sentar em uma cadeira de decisão. É aceitar que suas crenças precisam evoluir. Não para agradar todos, mas para cuidar de todos. Cuidar do coletivo não significa apagar o individual, mas ampliá-lo – entender que a diversidade não é um problema a ser administrado, mas a riqueza a ser protegida.

É natural que, ao chegar ao poder, certas convicções pessoais mudem. E que bom que mudem. Mudar é sinal de escuta. A democracia se sustenta nessa humildade: na capacidade de um líder reconhecer que a verdade absoluta não mora apenas em si. O "eu" do político precisa se dobrar ao "nós" da sociedade.

Concluo esta carta com um apelo sereno: que a farda, a toga, o cargo, a tribuna ou o voto nunca sejam maiores do que a consciência. Que a lei se reencontre com a justiça. Que o poder reencontre a humildade. E que a autoridade se reconcilie com o respeito.

Não se governa pessoas como se organizam arquivos. Cada ser humano é um universo – e não há paz possível sem reconhecer a grandeza disso.

Com respeito e esperança de que todos os que devem ler este convite à consciência, estejam por aqui, lá ou acolá.

*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 197 – agosto de 2025.

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