TRIBUNA NO DIVÃ: ANSIEDADE SILÊNCIOSA

Publicada em: 08/04/2026 17:05 -

“Reflexões sobre o que nos move, nos toca e nos transforma.”

Quando o sofrimento não aparece, mas existe.

Muitas vezes, caminhando pelas ruas da nossa cidade, trocamos cumprimentos, sorrisos e o clássico "tudo bem?". Na maioria das vezes, a resposta é automática: "Tudo certo!". Mas a verdade é que, por trás de muitos desses "estou bem", existe um peso invisível que não costuma aparecer nas fotos de redes sociais nem nas conversas de calçada. É a chamada ansiedade silenciosa.

Diferente daquela ansiedade que faz a pessoa tremer ou perder o fôlego, a versão silenciosa é discreta. Ela não grita; ela sussurra. É o sofrimento de quem continua funcionando perfeitamente por fora, mas está exausto por dentro.

O que é esse sofrimento "invisível"?

A ansiedade silenciosa atinge, principalmente, as pessoas que chamamos de "fortes". Aquelas que cuidam da casa, do trabalho, dos filhos e dos amigos, e que sentem que não têm o direito de fraquejar. Os sintomas não são óbvios, mas estão lá:

O sono que não descansa: Você dorme, mas acorda com a sensação de que correu uma maratona porque sua mente não parou de resolver problemas durante a noite.

A irritabilidade guardada: Aquela vontade de explodir por coisas pequenas, que você engole para não causar conflito.

A culpa de parar: Uma sensação estranha de que, se você descansar por dez minutos, está esquecendo algo importante ou sendo "preguiçoso".

O corpo falando: Dores nas costas, estômago apertado e dentes cerrados. Quando a boca cala, o corpo encontra um jeito de gritar.

A armadilha de "parecer bem"

O maior perigo da ansiedade silenciosa é a normalização. A gente se acostuma a viver no limite. Começamos a achar que é normal viver cansado, que é normal não ter alegria nas pequenas coisas e que a vida é apenas "cumprir tarefas".

Muitas pessoas pensam: "Se eu estou trabalhando e dando conta das minhas obrigações, então não tenho problema nenhum". Mas saúde mental não é apenas a ausência de uma doença grave; é ter qualidade de vida e paz no peito. Estar "funcional" é bem diferente de estar saudável.

Quando é hora de procurar um profissional?

Não precisamos esperar o motor fundir para levar o carro ao mecânico, não é verdade? Com a nossa mente, o cuidado deveria ser o mesmo. Você deve buscar ajuda quando perceber que está apenas "sobrevivendo" aos dias, em vez de vivê-los.

Se a alegria ficou rara, se o medo do futuro é um companheiro constante ou se você sente que carrega o mundo nas costas e ninguém percebe, está na hora de falar.

Procurar um psicólogo ou falar abertamente sobre o que sente não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: é o maior sinal de força que alguém pode dar. É dizer para si mesmo: "Eu importo e não preciso carregar isso sozinho".

Que neste mês de março, possamos olhar com mais carinho para o nosso silêncio. Nem todo sofrimento precisa de lágrimas para ser real, mas todo sofrimento precisa de acolhimento para ser curado.

Sou Renata Machado, Psicóloga (CRP 06/220838) com ênfase em Psicanálise, e acredito que o acolhimento começa dentro de nós. Você já se escutou hoje? Já se permitiu sentir, refletir, cuidar das suas emoções com carinho? Acolher-se é um ato de coragem e amor próprio. Vamos conversar mais sobre isso?

 

Atendimento presencial e online

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E-mail: renatamachado.psic@gmail.com 

Instagram: @RenataSuthoffPsic

 

*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 203 - março 2026

 

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