TRIBUNA NO DIVÃ: “Reflexões sobre o que nos move, nos toca e nos transforma”

Publicada em: 28/04/2026 16:22 -

QUEM CUIDA DE QUEM CUIDA?

A saúde mental do cuidador

No silêncio das rotinas diárias, há um papel essencial que, muitas vezes, passa despercebido: o de quem cuida. Seja de um familiar idoso, de uma criança, de alguém com doença crônica ou até no exercício profissional, o cuidador sustenta, acolhe, organiza e, frequentemente, coloca as próprias necessidades em segundo plano. Diante de tantas demandas, surge uma pergunta necessária: quem cuida de quem cuida?

Cuidar de alguém vai além de tarefas práticas. Envolve presença emocional, responsabilidade constante e, muitas vezes, uma carga invisível de preocupação. No cotidiano, isso se traduz em atenção contínua, noites mal dormidas, renúncias pessoais e na sensação de estar sempre “de prontidão”. Com o tempo, esse acúmulo pode gerar um desgaste profundo, conhecido como sobrecarga do cuidador.

Diferentemente do cansaço comum, esse esgotamento é emocional. Manifesta-se por meio de irritabilidade, culpa, ansiedade, tristeza e até isolamento. Muitos cuidadores relatam a sensação de que não podem falhar, de que precisam dar conta de tudo, o que aumenta ainda mais a pressão emocional.

Há também um fator importante: o silenciamento emocional. Por estar na posição de apoio, o cuidador pode ter dificuldade em expressar suas próprias fragilidades. Afinal, como reclamar diante de alguém que precisa tanto? Esse pensamento, embora compreensível, pode levar à negligência de si mesmo.

Para que o cuidado seja sustentável, é fundamental incluir o autocuidado. Isso não significa abandonar responsabilidades, mas reconhecer limites. Pequenos intervalos de descanso, a divisão de tarefas, a aceitação de ajuda e a preservação de algum espaço pessoal são atitudes essenciais. O cuidador também precisa ser cuidado, acolhido e, quando possível, contar com acompanhamento psicológico.

Outro ponto importante é compreender que sentir-se cansado, sobrecarregado ou até ambivalente não torna ninguém menos dedicado. Pelo contrário, humaniza esse papel. Cuidar não deve ser sinônimo de anulação.

Falar sobre a saúde mental do cuidador é um passo importante para dar visibilidade a uma realidade muitas vezes negligenciada.

Ao final, cuidar de alguém continua sendo um ato de generosidade, mas não pode ocorrer à custa do próprio esgotamento. Para cuidar bem do outro, é preciso, antes de tudo, não deixar de cuidar de si.

Sou Renata Machado, Psicóloga (CRP 06/220838) com ênfase em Psicanálise, e acredito que o acolhimento começa dentro de nós. Você já se escutou hoje? Já se permitiu sentir, refletir, cuidar das suas emoções com carinho? Acolher-se é um ato de coragem e amor próprio. Vamos conversar mais sobre isso?

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*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 204 - abril 2026

 

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