BRASIL NAS URNAS: GIGANTESCO MAPA ELEITORAL
De presidente da República a deputados estaduais, o pleito deste 4 de outubro mobilizou mais de 158 milhões de eleitores e renovou parte expressiva do poder político brasileiro
A eleição de 2026 colocou em disputa uma extensa estrutura de representação política.
No plano federal, foram renovadas 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, além de 54 das 81 cadeiras do Senado Federal – dois senadores por cada estado e pelo Distrito Federal.
Nos estados, foram disputadas 1.035 cadeiras de deputados estaduais nas Assembleias Legislativas. No Distrito Federal, foram eleitos 24 deputados distritais para a Câmara Legislativa.
Assim, somente no Poder Legislativo, o eleitorado brasileiro foi responsável pela escolha de: 54 senadores; 513 deputados federais; 1.035 deputados estaduais – mais 24 deputados distritais, totalizando 1.626 parlamentares escolhidos.
Somam-se a eles 27 governadores – um em cada uma das 26 unidades estaduais e no Distrito Federal – e a Presidência da República.
A Câmara dos Deputados possui 513 cadeiras distribuídas pelas 27 unidades da Federação, sendo São Paulo o maior colégio legislativo, com 70 deputados federais.
Entre os fatos mais extraordinários desta eleição está a votação alcançada por Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).

Pavanato, que disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, terminou a eleição em São Paulo com 3.038.438 votos, correspondentes a 12,82% dos votos válidos do estado. O resultado estabeleceu uma marca histórica: ele ultrapassou o antigo recorde nacional de Eduardo Bolsonaro, que havia obtido cerca de 1,84 milhão de votos em 2018, e a marca histórica de Enéas Carneiro, de 2002.
A dimensão da votação de Pavanato é ainda mais significativa porque ele foi eleito o vereador mais votado de São Paulo em 2024 com 161.386 votos, então a passagem para mais de três milhões de votos representa uma multiplicação extraordinária de sua votação individual.
Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira rompeu a barreira histórica do país das grandes votações para deputado federal. Nessa eleição de 2026, o parlamentar do PL alcançou 3.119.281 votos, o equivalente a 27,20% dos votos válidos para deputado federal no estado, mais que o dobro dos 1.492.047 votos obtidos em 2022.

A eleição de 2026 colocou, portanto, dois candidatos do PL entre as maiores votações individuais da história da Câmara dos Deputados, em um resultado que ampliou significativamente o patamar de votação alcançado por candidatos à composição da Câmara.
É importante observar que a eleição para deputado federal é proporcional: a votação individual ajuda a definir quais candidatos ocupam as cadeiras conquistadas por partidos e federações, e não funciona simplesmente como uma eleição majoritária em que os mais votados individualmente ficam automaticamente com todas as vagas.
São Paulo produziu ainda outro fenômeno eleitoral de grandes proporções.
Maria Eduarda Campopiano Monteiro, a Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo em 2026. Com 1.956.238 votos, ela terminou à frente de nomes tradicionais da política paulista e estabeleceu uma das maiores votações individuais já registradas para o Legislativo estadual paulista.

O resultado atinge um patamar particularmente expressivo quando se observa a votação dos demais candidatos: Eduardo Suplicy (PT) terminou com 654.627 votos, enquanto Sofia Favero (PSOL) obteve 407.773.
Campopiano havia sido eleita vereadora de Praia Grande em 2024 e chega à Assembleia Legislativa aos 23 anos. Sua projeção eleitoral esteve fortemente associada à atuação nas redes sociais e à defesa pública de pautas conservadoras.
UMA ELEIÇÃO MARCADA PELA FORÇA DO VOTO INDIVIDUAL
Os números de 2026 deixam um registro que vai além da simples renovação das cadeiras parlamentares.
As votações de Lucas Pavanato, Nikolas Ferreira e Eduarda Campopiano mostram a força que determinadas candidaturas construídas em torno de forte presença digital, identificação política e mobilização direta do eleitorado podem alcançar no sistema proporcional brasileiro.
Pavanato ultrapassou a marca de 3 milhões de votos em São Paulo. Eduarda aproximou-se de 2 milhões para a Assembleia Legislativa de São Paulo. E Nikolas Ferreira estabeleceu uma votação de dimensão histórica no Brasil em Minas Gerais.
São números que ajudam a compreender uma das características mais marcantes da eleição de 2026: a capacidade de determinados candidatos transformarem popularidade, comunicação digital e identificação política em gigantescas votações individuais.
Mais do que uma simples estatística, esses resultados passam a integrar a própria história eleitoral brasileira.
*Reportagem publicada no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 209 - outubro 2026 – e atualizada em nosso portal online


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