El Niño forte agrava extremos no país, mas calor intenso está mais ligado ao aquecimento global
Segundo o ClimaInfo, o fenômeno é passageiro e se soma a uma base de temperaturas já elevada pelas mudanças climáticas
Com a primavera avançando e o verão se aproximando, o El Niño volta ao centro das atenções no Brasil. O fenômeno, no entanto, não explica sozinho todos os eventos extremos que o país tem enfrentado, entre eles as ondas de calor.
De acordo com o ClimaInfo, o El Niño provoca um aquecimento temporário, que se soma a uma base de temperaturas mais altas já existentes por causa das mudanças climáticas. Por isso, o calor extremo tem relação mais forte e direta com o aquecimento global do que com o fenômeno em si. Dados do Cemaden, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram a diferença entre as épocas: no El Niño de 1982-1983, o país registrou três episódios de onda de calor, número que subiu para nove no de 2023-2024.
Os efeitos dessa combinação já são sentidos. O Brasil enfrenta uma onda de calor, com temperaturas acima da média e baixa umidade do ar. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para oito estados, e cidades de nove estados chegaram a registrar 40°C ou mais. Nesse cenário, aumenta o risco de desidratação, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Sede intensa, boca seca, cansaço e tontura estão entre os principais sinais de desidratação, e os casos graves podem levar à confusão mental. Urina escura e em pouca quantidade também merecem atenção. Para evitar o problema, a orientação é beber líquidos com regularidade, incluir frutas e vegetais na alimentação, evitar o sol nos horários mais quentes e usar roupas leves, chapéu e protetor solar. Sem tratamento, a desidratação pode causar lesões nos rins, desequilíbrio de eletrólitos e problemas circulatórios. Quem tem doença renal ou cardíaca deve seguir as recomendações médicas sobre a quantidade de líquidos.
No Sudeste, as chuvas também provocam impactos. Em São Paulo, temporais registrados na madrugada de sexta-feira (16) causaram alagamentos, quedas de árvores e interdições parciais em rodovias. Até o início da manhã, 44 dos 289 pontos monitorados em rios e córregos do estado estavam fora da normalidade, cinco deles em nível de emergência, segundo o governo estadual.
Na quinta-feira (15), o governo paulista lançou a operação São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027, que amplia o monitoramento e as ações de prevenção a eventos climáticos extremos. A iniciativa inclui medidas para enfrentar temporais, ondas de calor, estiagens e incêndios florestais, com previsão de monitoramento permanente até o fim de 2027.


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