TRIBUNA NO DIVÃ - “Reflexões sobre o que nos move, nos toca e nos transforma.”

A Tirania do Alerta Permanente:
O Que Resta do Nosso Tempo?
Vivemos imersos em um fluxo ininterrupto de luzes, estímulos e dados. A cada poucos minutos, a tela do celular acende: uma notificação, uma notícia urgente, uma publicação chamativa ou uma controvérsia entre fatos e notícias falsas. Nessa arquitetura digital projetada para capturar nossa atenção, tornamo-nos reféns do consumo imediato e do prazer instantâneo. O resultado dessa rotina é palpável na saúde e na mente do sujeito contemporâneo: uma aceleração desenfreada da percepção do tempo, a mente em constante hipervigilância, a incapacidade de se concentrar e a erosão sistemática do sono.
Do ponto de vista neurológico e comportamental, a promessa da novidade constante explora nossos circuitos de recompensa, alimentando a ansiedade. O cérebro, interpretando o volume contínuo de estímulos como um sinal de perigo ou de oportunidade imperdível, permanece em alerta permanente. O corpo se deita para descansar, mas o psiquismo não desliga; o sono reparador dá lugar à insônia, e o foco profundo cede espaço ao pensamento fragmentado.
A psicanálise nos convida a olhar para o que reside por trás dessa busca compulsiva por estímulo: a dificuldade de lidar com o vazio, a falta e a insatisfação inerentes à condição humana. Na tentativa de anestesiar o tédio, o medo da solidão ou as incertezas do cotidiano, recorremos às telas como uma prótese afetiva. Preenchemos todo intervalo de tempo livre com o "rolar" infinito, eliminando o espaço necessário para a reflexão e para a elaboração psíquica. O sujeito moderno corre para não ter que se escutar.
É justamente aí que o processo psicoterapêutico se consolida como um ato de resistência cultural e subjetiva. A psicoterapia não oferece fórmulas mágicas para a aceleração do mundo exterior, mas constroem um espaço de desaceleração. Trata-se de um lugar onde o indivíduo é convidado a resgatar a sua própria voz em meio ao ruído, suportar o silêncio sem angústia e reencontrar o sentido do seu próprio tempo.
Promover a saúde mental na era hiperconectada exige mais do que um "detox digital" temporário; exige a tomada de consciência sobre como desejamos viver. Recuperar a capacidade de concentração, restaurar as noites de sono e apaziguar a ansiedade dependem de um movimento corajoso: o de nos autorizarmos a desconectar do mundo virtual para voltar a habitar, com presença e lucidez, a nossa própria realidade.
Sou Renata Machado, Psicóloga Clínica (CRP 06/220838) com ênfase em Psicanálise, e acredito que o acolhimento começa dentro de nós. Você já se escutou hoje? Já se permitiu sentir, refletir, cuidar das suas emoções com carinho? Acolher-se é um ato de coragem e amor próprio. Vamos conversar mais sobre isso?Atendimento presencial e online – WhatsApp (11) 98565-8481E-mail: renatamachado.psic@gmail.com Instagram:@RenataSuthoffPsic
*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 209 - outubro 2026


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