"Saúde em evidência"

Santiago Andujar Mas
E-mail santi.andujarmas@gmail.com
@clinica_santephysio
Quando o corpo avisa antes da dor
Você já parou para pensar que, muitas vezes, a dor não é o primeiro sinal de que algo está errado com o nosso corpo? Antes de aparecer uma dor na coluna, no joelho, no ombro ou no quadril, o organismo pode apresentar pequenas alterações de movimento que passam despercebidas no dia a dia. Mudanças na postura, perda de mobilidade, compensações, redução de força, desequilíbrios musculares ou dificuldade para realizar determinados movimentos podem ser sinais de que o corpo está tentando se adaptar a alguma disfunção.
É justamente nesse momento que a avaliação fisioterapêutica pode ter um papel importante.
O fisioterapeuta não deve atuar somente quando existe dor. A fisioterapia também pode contribuir para identificar alterações funcionais e biomecânicas antes que elas se transformem em limitações ou sintomas mais significativos.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que começa a perder mobilidade de uma articulação. Para continuar realizando suas atividades normalmente, outras regiões podem começar a trabalhar mais do que deveriam. Inicialmente, não existe dor. Com o passar do tempo, porém, essas compensações podem aumentar a sobrecarga sobre músculos, tendões e articulações.
O corpo está funcionando, mas está gastando mais energia para fazer aquilo que antes realizava com facilidade.
Alguns sinais merecem atenção: sentir que um lado do corpo trabalha mais que o outro, dificuldade para agachar, correr ou subir escadas, perda de equilíbrio, redução da amplitude de movimento, alterações na marcha, sensação de rigidez ou necessidade constante de “estalar” determinada região para sentir alívio. Nenhum desses sinais, isoladamente, significa necessariamente que exista uma lesão. Porém, eles podem indicar que vale a pena investigar como o corpo está se movimentando.
A avaliação fisioterapêutica busca analisar como a pessoa se movimenta, quais estruturas estão sendo sobrecarregadas equais capacidades precisam ser recuperadas. Essa visão permite trabalhar de maneira preventiva, utilizando recursos como terapia manual, exercícios terapêuticos, treinamento de força, mobilidade, estabilidade e Pilates, sempre de acordo com as necessidades individuais de cada pessoa.
Prevenir não significa eliminar completamente a possibilidade de sentir dor ou sofrer uma lesão. Significa identificar fatores de risco e alterações funcionais que podem ser modificados, aumentando a capacidade do organismo de lidar com as demandas do cotidiano, do trabalho e do esporte.
Por isso, não precisamos esperar o corpo “gritar” para começar a cuidar dele.
Cuidar da saúde musculoesquelética também é aprender a escutar esses pequenos sinais antes que eles se transformem em grandes limitações.
Na Sante Physio, acreditamos que a fisioterapia deve ir além do tratamento da dor: deve buscar compreender o indivíduo, seu movimento e sua rotina, trabalhando também na prevenção e na manutenção da qualidade de vida. Seu corpo pode estar falando antes da dor. Aprender a ouvir pode ser uma das melhores formas de cuidar dele.
Santiago Andujar Mas
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*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 209 - outubro 2026


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