Bastidores e OPINIÃO

Publicada em: 09/08/2026 08:59 -

Dia dos Pais: quando ser pai é muito mais do que prover

 

O Dia dos Pais chega, mais uma vez, em meio a uma realidade em que ser pai tornou-se um desafio que vai muito além da tradicional imagem de provedor da família. Em tempos de custos elevados, jornadas de trabalho cada vez mais exigentes, mudanças nas estruturas familiares e relações que se transformam rapidamente, a paternidade exige presença, responsabilidade e, sobretudo, disposição para amar mesmo quando a vida impõe limites.

Por muito tempo, ser pai esteve associado principalmente ao papel de garantir o sustento. E não há como ignorar o peso dessa responsabilidade. Pagar as contas, colocar comida na mesa, garantir moradia, educação e segurança continuam sendo formas concretas de cuidado. Mas a realidade atual mostra que prover não basta.

É preciso estar.

Estar quando o filho precisa conversar. Estar nas pequenas conquistas e nas grandes dificuldades. Acompanhar a escola, conhecer os amigos, perceber mudanças de comportamento, ensinar pelo exemplo e, muitas vezes, simplesmente se sentar ao lado e ouvir. A presença paterna não se mede apenas pela quantidade de horas disponíveis, mas pela qualidade do vínculo construído nos momentos possíveis.

E essa tarefa se torna ainda mais complexa para os pais que criam os filhos sozinhos, seja por separação, viuvez, abandono ou pelas circunstâncias da própria vida. Nesses casos, as fronteiras entre prover, cuidar, educar e acolher praticamente desaparecem. O mesmo pai que precisa trabalhar para garantir o sustento pode ser também quem prepara a refeição, acompanha uma consulta, ajuda nas tarefas escolares, administra a casa e enfrenta, muitas vezes em silêncio, suas próprias dificuldades.

Há também aqueles que estão fisicamente distantes dos filhos, mas que procuram permanecer emocionalmente presentes. Nem sempre a distância é uma escolha; muitas vezes é consequência das necessidades de trabalho, das condições econômicas ou das circunstâncias familiares. 

Ser pai, portanto, é também renunciar. Renunciar ao descanso, a projetos pessoais, a certas escolhas e, algumas vezes, ao próprio conforto. É aprender que liberdade e responsabilidade passam a caminhar juntas quando há uma criança ou um jovem que depende de nós

Neste Dia dos Pais, talvez seja necessário olhar menos para o pai idealizado das propagandas e mais para o pai real. Aquele que erra, tenta novamente, trabalha cansado, preocupa-se com o futuro, nem sempre sabe o que fazer, mas procura aprender. O pai que nem sempre consegue estar presente como gostaria, mas que não deixa de se importar. O pai que entende que educar não é apenas dar respostas, mas preparar os filhos para fazer suas próprias escolhas.

A paternidade de hoje pede menos discursos e mais participação. 

Porque, no fim, o maior patrimônio que um pai pode deixar aos filhos não está apenas naquilo que conseguiu comprar ou construir. 

Em uma sociedade que cobra tanto dos pais e, ao mesmo tempo, oferece tão pouco tempo para que eles exerçam plenamente essa função, celebrar o Dia dos Pais também deve ser uma oportunidade de discutir que tipo de família queremos construir.

E talvez a resposta comece por uma ideia simples, mas profunda: filhos precisam de sustento, mas também precisam de presença. Precisam de limites, mas também de afeto. Precisam de orientação, mas também de escuta. E, acima de tudo, precisam saber que são importantes.

Ser pai é enfrentar todas essas exigências sem perder de vista o essencial: cuidar de uma vida que, de alguma maneira, também passa a ser parte da nossa.

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