“Expressinhas” em destaque
O discurso da “campanha limpa”
Curioso observar o debate eleitoral que começa a ganhar corpo. Na última eleição, em 2024, integrantes e correligionários do grupo que hoje está à frente do Executivo e Legislativo de Joanópolis, foram justamente alguns dos que mais investiram em material impresso, wind banners e outras formas de divulgação.
Agora, alguns dos mesmos atores aparecem alardeando a certeza do voto e levantando a bandeira de uma campanha “sem sujeira”. Mas, afinal, o que é sujeira política?
Certamente, não é simplesmente divulgar uma candidatura, apresentar propostas ou pedir voto. Marketing eleitoral, por si só, não macula ninguém. Sujeira é outra coisa: é a maledicência, a tentativa de desqualificar adversários, atingir sua honra, sua integridade e, muitas vezes, envolver até suas famílias em ataques que nada têm a ver com o debate democrático.
Se material de campanha, dentro das regras, é considerado “sujeira”, fica a pergunta: na próxima eleição municipal, a cidade deverá assistir a uma campanha em silêncio, sem placas, impressos ou qualquer demonstração pública daqueles que terão pouco a mostrar?
O que começa a parecer, antes mesmo do prazo eleitoral, é a velha lógica de “acuse-os do que fazemos até que isso se torne verdade”, especialmente a mentira. E, quando essa estratégia chega cedo demais, talvez seja sinal de que a disputa já começou – embora alguns ainda prefiram fingir que não.
Nunca é tarde para o luxo de uma reflexão
O texto a seguir, da psicanalista Andréa Vermont, aborda, de maneira prática e direta, aquilo que muitas vezes nosso silêncio e afastamento querem dizer. A reflexão trata de situações presentes nas relações humanas, especialmente quando estamos envolvidos em conflitos ou somos colocados por terceiros no papel de “vítima da vez”.
Com uma linguagem acessível, Andréa traduz conceitos sobre a mente e o comportamento humano e nos convida a olhar além da versão apresentada por outras pessoas, buscando compreender nossos sentimentos, escolhas, silêncios e afastamentos.
Nesse sentido, o autoconhecimento se torna um processo contínuo de aprendizado, que exige disposição para rever conceitos, compreender comportamentos e reconhecer que podemos melhorar a cada dia e em cada novo convívio.
É nesse contexto que a reflexão de Andréa Vermont ganha relevância:
Tem gente que confunde bondade com obrigação.
Acha que ser uma boa pessoa significa aceitar desrespeito, engolir desaforo e ainda sorrir para não parecer “difícil”. Como se caráter fosse sinônimo de falta de limites.
Não é.
Foi muito libertador entender que eu não preciso ser gentil com quem faz da crueldade um hábito.
Respeito não é um cheque em branco. Educação não exige que você permaneça disponível para quem gosta de diminuir, manipular ou humilhar.
E tem uma coisa curiosa: quem se incomoda quando você cria limites quase sempre era quem mais se beneficiava da sua falta deles.
Não confunda paz com passividade.
A vida já cobra caro demais para você ainda oferecer desconto para quem escolheu te ferir.
Você não precisa gritar. Não precisa revidar. Não precisa devolver a maldade na mesma moeda.
Mas também não precisa servir café para quem entrou na sua vida só para virar a mesa.
Algumas portas não foram feitas para permanecer abertas.
Foram feitas para lembrar que maturidade também sabe trancar.
*Artigo publicado no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 208 - setembro 2026


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